Tese Construindo a Base:
Elementos de discussão do Movimento Estudantil de Serviço Social
UNIVERSIDADE
Hoje vivemos o momento neoliberal, sendo pautadas as ideologias do pós-modernismo. Este discurso tenta destruir todas as conquistas que a classe trabalhadora conseguiu, defendendo a idéia do “Faça a sua parte!”. É a partir de, por exemplo, organizações sociais em substituição ao papel do Estado na privatização do serviço público como as ONGs, que a construção do pós-modernismo torna-se real. Adiciona-se a isso o mito da inexistência divisão de classe na sociedade. A recente crise do capital mostrou que o governo brasileiro fez a lição de casa muito bem, as manobras realizadas pelo Estado visam sempre garantir a manutenção do poder da classe dominante e do capital. Neste contexto, a educação mais uma vez foi usada para atender os propósitos da burguesia, ganhando definitivamente caráter de mercadoria.
A reforma Universitária e o PROUNI vêm reforçar a idéia de Estado mínimo, a privatização do ensino e o sucateamento das universidades públicas crescem significativamente nos últimos anos, e as universidades privadas são as mais beneficiadas nesse processo de precarização do ensino, pois em sua maioria não estão interessadas na qualidade da formação, mas sim na geração do exército de reserva para o capital. O “boom” das mega universidades que ganham o mercado com marketing, e tratam a educação como uma mercadoria, traço que se torna gritante com a especulação até em bolsas de valores, mostra a face mais cruel do projeto neoliberal, pois são os estudantes trabalhadores que são prejudicados com o falso acesso ao ensino superior. O EAD (Ensino a Distância) é mais uma forma de massificar a formação e aumentar o acúmulo de capital, dentro da lógica capitalista.
“A Reforma do Estado brasileiro pretende modernizar e racionalizar as atividades estatais, redefinidas e distribuídas em setores, um dos quais é designado Setor dos Serviços Não-Exclusivos do Estado, isto é, aqueles que podem ser realizados por instituições não estatais, na qualidade de prestadoras de serviços. O Estado pode prover tais serviços, mas não os executa diretamente nem executa uma política reguladora dessa prestação. Nesses serviços estão incluídas a educação, a saúde e a cultura...”
Marilena Chauí
Na ditadura, o número de vagas em universidades era irrisório frente à necessidade de formação dos filhos da classe trabalhadora. Desde então a luta pelo ensino público, gratuito, laico e de qualidade para todos é uma das pautas principais do Movimento Estudantil. Aqueles que lutavam pela democratização, acesso e ampliação do ensino superior, de forma progressista, foram duramente perseguidos pela ditadura militar.
Hoje, cabe também falar das questões que atingem diretamente as Universidades Públicas, como a parceria com empresas privadas para a realização de pesquisas, a eliminação do regime único, do concurso público e da dedicação exclusiva do trabalho dos professores, substituindo-os por “contratos flexíveis”, isto é, temporários e precários.
A precarização da educação e o descaso do Estado estão relacionados ao projeto neoliberal, que terceiriza todos os setores sociais e fragmenta a classe trabalhadora e enfraquece os movimentos sociais populares, em contraposição ao movimento do capital, com o acúmulo dos banqueiros. O mercado competitivo exige mais dos trabalhadores; a universidade para muitos significa uma ascensão econômica e inserção profissional no “mercado”. As universidades privadas prestam esse serviço ao capital, pois quando se integram aos programas governamentais como o PROUNI, ganham isenção fiscal e estímulo para captação de recursos financeiros. Nós, estudantes e trabalhadores, sofremos com ensino (des) qualificado e com cursos com mensalidades altamente lucrativas, onde a maioria dos beneficiados são os grandes empresários donos dessas instituições de ensino.
Quando nós nos reconhecemos nesse processo fica mais fácil nos articular dentro desses espaços enquanto estudantes, uma das maiores dificuldades que o movimento estudantil enfrenta é integrar esses novos estudantes e fazer com que se reconheçam como tal. As obrigações diárias, impostas pelo sistema capitalista, fazem com que esses estudantes não se vejam nesse processo, onde a formação profissional é a mais afetada com tamanha precarização do ensino.
"A teoria sem a prática de nada vale, a prática sem a teoria é cega"
Lênin
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