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segunda-feira, 26 de julho de 2010

Teses Região VII - Conjuntura

Tese Construindo a Base:
Elementos de discussão do Movimento Estudantil de Serviço Social


Conjuntura

"A questão mais importante, a fundamental,
é a questão do poder. Os revolucionários no Brasil não se
podem propor a uma outra coisa senão a tomada do poder,
juntamente com as massas."

Carlos Marighella

A partir de meados da década de 1970, o mundo iniciou um período de estagnação econômica, marcado inicialmente pela crise de petróleo de 1973. A superação deste momento se deu por meio de uma profunda reestruturação produtiva. O modelo produtivo conhecido como toyotismo emerge deste período de estagnação, substituindo o modelo fordista de produção.
A produção flexível (toyotismo) transforma a condição de trabalho nos diversos ramos da produção e também dá destaque ao setor de serviços. O trabalhador necessário para este novo modelo, produção flexível, também é um trabalhador flexível. A exigência do mercado é de um trabalhador apto a desenvolver diversas funções, e não mais apenas uma única e repetitiva função, característica do modelo fordista. Junto a esse processo, podemos identificar um intenso processo de terceirizações, retirada de direitos e todas as suas conseqüências de internacionalização das cadeias produtivas.
A partir da década de 1980, em consonância com o período de estagnação econômica, o mundo observou grandes reformulações das políticas de Estado, sintetizadas no Consenso de Washington. Os organismos internacionais propuseram a implementação de uma política de Estado baseada na realocação de investimentos públicos dos setores sociais para os setores produtivos e na possibilidade de criação de novos nichos de mercado a partir da ausência estatal, como na educação, por exemplo.
No Brasil encontra-se uma conjuntura complexa, o "Ciclo PT" prossegue e, aparentemente, não há perspectiva de acabar de uma hora para outra, o governo Lula teve como princípio continuar a Política Econômica Neoliberal do "Ciclo FHC". Portanto, estamos em um momento que o novo ainda não surgiu e o velho ainda não apareceu. Lula e seu Governo inviabilizaram uma construção de 20 anos, o projeto que se colocava desde 1989 com os democráticos e populares foi interrompido. Setores importantes da esquerda e dos movimentos sociais populares foram sufocados com as medidas de governo que se diz “reformistas”, porém, se quer fez minimamente as reformas agrárias e urbanas. Por outro lado, as reformas feitas como a da previdência e a contra-reforma universitária foram de cunho neoliberal, reforçando a idéia de Estado mínimo.
Este governo não só fragmenta os movimentos sociais populares, ele se tornou aliado do FMI e de grandes instituições bancárias e financeiras, dando lucros exorbitantes a esses atores. O título designado a Lula como o estadista do ano (2010) no fórum econômico mundial em Davo (entre outros prêmios), somente nos remete a crer que sua função cumpre com o papel do Estado a serviço do sócio-metabolismo, o qual está gerido pela ordem do capital especulativo (representação autêntica dos negócios da burguesia). Lula ocupa, na América Latina, um papel de Sub-Imperialista, como na invasão militar/terrorista no Haiti, e outras intervenções em países de nosso continente por meio da atuação exploratória de empresas semi-estatais (Petrobrás, por exemplo) e de empresas privatizadas a preço de banana (Vale e outras...).
Como dito anteriormente, a Produção Flexível estabelecia um novo modelo de trabalho pelo qual uma mesma linha de montagem deveria produzir não mais um único produto, não mais apenas peças para motor de um único modelo de carro, mas peças diversificadas, para um mercado diversificado. O uso da mecatrônica, máquinas mais eficazes de versáteis, permitiram um aumento da produção individual de cada operário. Massas de operários poderiam ser descartadas ou manejadas para novas funções.
No entanto, se a produção individual de cada operário (e a exploração individual, portanto) crescia, se a capacidade de gerar lucros em cada setor crescia, havia um processo ocorrendo ao mesmo tempo: a diminuição da taxa de lucro global. As indústrias como um todo passaram a cada vez lucrar menos. A diversificação de mercado e o crescimento da produtividade vieram ao custo da diminuição do ritmo do aumento da produção de valor global. Na tentativa de cada empresa tentar aumentar seus lucros ao diminuir os gastos com pessoal e aumentar a produtividade no processo foi gerada globalmente uma diminuição do valor produzido por mercadoria. Criaram-se empregos mais lentamente do que se aumentou a produção de mercadorias e serviços.
Tal processo levou ao ponto em que a especulação sobre a produção futura gerava mais lucros do que a produção e distribuição da produção presente. Era preferível investir na suposição de que nos próximos anos as empresas dariam lucro do que ser dono das empresas.

Ora, se a especulação sobre a produção está mais lucrativa que a produção propriamente dita há uma bolha entre uma economia fictícia e a economia real. Essa bolha, que inflou com a crise do petróleo e o advento da Produção Flexível, não poderia se sustentar eternamente. O estouro da bolha ocorrido entre 2008 e 2009, foi o que se chamou de Crise Financeira.
Para diminuir a queda da economia governos injetaram bilhões de dólares na economia. Na tentativa de impedir que a queda do capital fictício se tornasse quebra da produção (uma vez que sem investimento não se produz, não se compra nem se vende), os governos estão injetando verbas artificialmente no mercado.
Tal processo tem desgastado o ideal liberal (e neoliberal) do mercado auto-regulador da vida social e de seus próprios mecanismos internos. Fica evidenciado o Papel do Estado quanto mantenedor da ordem burguesa (por exemplo, pelo assalto descarado às reservas públicas em benefício exclusivo Capital Financeiro e dos Monopólios).
O governo brasileiro esvazia hoje suas reservas para conter a crise. O processo aparenta ter sucesso. Mas o sucesso fica apenas na aparência. A injeção de verbas permitiu o fim do ciclo de aumento do desemprego, mas ainda não foi capaz de recuperar todos os empregos perdidos. E no processo as reservas que serão necessárias para pagamento de aposentadorias e seguro social, estão sendo queimadas em velocidade maior que a arrecadação permite. Mesmo com a recuperação econômica o futuro dos que dependem da aposentadoria e de serviços públicos não se apresenta como o mais brilhante. A juventude trabalhadora de hoje que sofrerá mais com a queima das reservas. A diminuição da criação de emprego somado ao crescimento de ingresso de jovens no mercado de trabalho significa uma parca diminuição do desemprego e no aumento de empregos precários. Desemprego hoje e com baixa aposentadoria no futuro, os jovens não podem sorrir nem pelo presente nem pelo futuro que lhes aguarda.

Estamos em um ano marcado por uma disputa eleitoral, entendemos que não temos um projeto popular construído, que possa aglutinar todos os setores populares de esquerda e combatida em torno de uma candidatura. Nenhuma das alternativas com possibilidade de vitória apresenta interesse ou disposição em mudar a política econômica, e nem mesmo de contribuir para a organização da população. Estamos em um momento de reorganização, e precisamos, neste próximo período, construir pela base, organizar o povo, para que possamos por meio da correlação de forças, enfrentar e não mais ficar na defensiva às políticas hegemônicas e aos ataques à classe trabalhadora. Na ofensiva, elaborar um projeto objetivo para que possamos construir a unidade na luta: os movimentos populares e as organizações comprometidas com a Revolução Brasileira. A partir de nossos espaços de atuação, vamos nos solidarizar e lutar, de forma internacionalista, pela emancipação da classe trabalhadora nacional e mundial.
“... y sobre todo, sean siempre capaces
de sentir en lo más hondo cualquier injusticia
cometida contra cualquiera en cualquier parte del mundo.
Es la cualidad más linda de un revolucionario."
Ernesto Guevara

Hoje as guerras do Iraque e Afeganistão levam morte, fome e desespero ao Oriente Médio; a paz entre Israel e Palestina, que só pode acontecer com um território livre aos palestinos, se afunda na intromissão dos Estados Unidos que financiam a discórdia. Também financiam os conflitos armados e étnicos, o tráfico de drogas e a AIDS que assolam o continente africano. Na Ásia e Oceania há semi-escravidão dos trabalhadores e trabalho infantil em empresas como Nike e Nestlé, que impõe a ditadura de mercado. Além disso, com apoio dos Estados Unidos, Honduras e outros lugares do mundo, instituíram ditaduras militares sangrentas que oprimiram/oprimem o povo, transpassando a classe trabalhadora. Na América Latina, as privatizações e a perda do direito dos trabalhadores se aprofundam em contrações, porém alguns movimentos sociais e governos antiimperialistas começam a resistir à exploração, como na Venezuela, Bolívia, Equador, Cuba, MST no Brasil, o movimento Zapatista México entre outros...
O sistema capitalista tem se revelado cada vez mais, incapaz de resolver os problemas fundamentais das pessoas, em toda humanidade. Vivemos numa crise estrutural do capital, os capitalistas através de seus empreendimentos e agronegócio vendem venenos agrotóxicos, nos entopem de transgênicos, desmatam e poluem o meio ambiente, quem sofre mais uma vez é classe subalterna. Nos países pobres e nas periferias, os anticapitalistas entendem que enquanto houver o capitalismo, sempre haverá a guerra, a fome e o desespero. Enquanto houver pessoas que são exploradas ao extremo, vivendo na miséria, nunca haverá a paz. Por isso, o capitalismo deve ser combatido e suprimido por uma nova ordem societária e revolucionária, sem exploração das classes sociais, da etnia e do gênero.

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