DOCUMENTOS

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Teses Região VII - Opressões

Tese Construindo a Base:
Elementos de discussão do Movimento Estudantil de Serviço Social

OPRESSÕES:



A Necessidade do Movimento Estudantil Discutir Esta Pauta.
Nos espaços de formação profissional, nas disciplinas teóricas e metodológica do curso de Serviço Social apreendemos sobre o materialismo histórico dialético bem como a necessidade de uma análise critica da sociedade e a busca da totalidade por este motivo se faz necessário fazer um resgate histórico sobre as opressões ocorridas no Brasil.
             O Brasil é um país que segundos relatos históricos da elite burguesa, foi descoberto por Pedro Álvares Cabral em 1.500, porem ocorreram uma série de atrocidades e violações no seu processo histórico. Para a formação de uma futura sociedade capitalista os portugueses formarão a colônia alem da efetivação da imposição cultural, escravizaram e exterminaram os povos indígenas tudo para a famosa descoberta das Américas e o enriquecimento de Portugal. Como já não possuíam mais indígenas devido aos massacres ocorridos decidiram então pegarem a força os negros de Angola, Moçambique Camarões e por parte do continente Africano, que trazidos nos navios, acorrentados tendo como direito a fome, a doença, o chicote e o banzo.
            Além do processo de miscigenação onde pegavam brutalmente as mulheres negras e indígenas que por sua vez eram violentadas pelos senhores do engenho.
            De Acordo com autora Maria Boque, em seu texto Família ela relata que “o marxismo inicia a partir do momento que o homem percebe sua capacidade de contribuir com a fecundação da vida por possuir o sêmim no seu sistema reprodutor”. Claro que com o apoio e moralista trazido da igreja no qual a mulher é retirada da costela e responsável pelo pecado original, esta presente a inferioridade da mulher.
            Outra opressão que não podemos deixar de citar é o cercamento da terra e a fundação da propriedade privada.
            Sabemos que no período de escravidão, o homem branco português exerceu imposições por se sentirem superiores aos negros e indígenas, toda vez que um homem negro reivindicava seus direitos ou até mesmo possuíam uma crítica frente à condição de escravo, ou realizavam suas culturas tradicionais, os mesmos eram chicoteados, esquartejados em praça pública.
            Este período durou até a falsa libertação que teve como percussora histórica “Princesa Isabel”, mas o que a história esqueceu-se de relatar que ao invés de fazerem leis de libertação, criaram espaços de desigualdade histórica e social, sendo elas a Lei do Ventre Livre e a Lei do embranquecimento. Após saírem das casas do engenho os negros como não possuíam propriedade privada e quanto menos moedas, passaram a enfrentar outra questão, o racismo no qual eram tratados de forma inferior por seus costumes, cultura, e manifestações religiosas que até hoje estão presentes na sociedade, exemplo:
 O cabelo de negro é chamado de “duro” ao invés de crespo, religião “macumba” ao invés de culto aos orixás, sem falar nos estigmas macaco, filho do demônio, macumbeiro, piche, chiclete de asfalto, toalha de mecânico e por ai segue esta violações e conceitos pré-concebido e reproduzidos na vida cotidiana.
No processo de finalização do período Feudal para a Revolução industrial estiveram presentes uma série de estigmas, o próprio capitalismo um opressor direto da classe trabalhadora, o racismo foi uma tentativa de legitimação da escravidão em muitos momentos, e que hoje é uma legitimação para os baixos salários e manutenção de negros em cargos inferiores em empresas, servindo como uma ferramenta de controle de classe. Já o machismo está ligado a uma estrutura familiar, como produto da sociedade capitalista, naturalizando o trabalho domestico da mulher como da natureza feminina. O sistema se apropriou muito bem da divisão sexual do trabalho, como parte inerente da relação capital x trabalho para obtenção do lucro, uma vez que se à mulher é atribuído os afazeres domésticos e cuidado com os filhos e ao homem lhe é atribuído o papel de mantenedor do lar, quando a mesma se insere no mercado de trabalho recebe menos por conta disso: seu salário é apenas um complemento à renda do marido e por isso, não tem necessidade de ganhar igual ao homem. Na família senhorial as mulheres possuíam posição subalterna ao homem. Na sociedade burguesa, apesar do processo de libertação da mulher em relação a direitos sociais, o machismo continua existindo dado o caráter da família celular burguesa, que estabelece que a mulher possua o papel de administradora de lar, tendo como papel cuidar da família, mesmo trabalhando. E se trabalha, estas são 'inferiores'. Em verdade, tanto o racismo como o machismo, servem hoje à política de redução de salários. Paga-se menos às mulheres, pois o mesmo sobrevive da mais valia, divisão de classe e da exploração do homem pelo homem e traz contigo as contradições, elimina o trabalho como meio de produção e reprodução do ser humano e passa a ser somente meio de sobrevivência.
Outra opressão constante á a própria questão social bem como a reprodução histórica do moralismo, racismo, homofobia, xenofobia e a continuidade das tradições desumanas. Há de se ressaltar também que nesta sociedade, devida as relações de trabalho, historicamente o deficiente físico é colocado a margem das relações sociais, sendo apenas ulizado como substrato da exploração da mais valia, onde sua inclusão como trabalhador não leva em conta a falta de acessibilidade, onde mulheres deficientes ganham menos que os homens deficientes e estes ganham menos que as mulheres sem deficiência, um setor da população com acesso restrito aos meios culturais, urbanos, educacionais e de trabalho.
No período moderno tivemos a continuação e materialização das opressões sendo elas: a inconfidência mineira, a guerra de canudos, a formulação das leis sem a opinião da classe trabalhadora, a ditadura militar, o massacre dos sem terras em Eldorado dos Carajás, massacre do Carandiru, extermínio de Margarida Maria Alves, Índio Galdino, Chico Mendes, Pixote, Joilson de Jesus entre tantos outros que acreditavam, perseguição por possuírem ideais políticos ou por estarem em situação de rua.
Outras pautas que não devem sair de discussão: violência psicológica, física, sexual contra mulheres, crianças, adolescentes, homossexuais, negros, nordestinos, migrantes, imigrantes, idosos além do trabalho infantil, escravo, o subemprego, o tráfico de homens e mulheres, de órgãos e de animais, a negação do Estado em assumir seu papel frente às políticas públicas, criando o chamado Terceiro Setor, para manutenção do capital, genocídio da juventude negra e o próprio sistema prisional.
Diante de tantas questões não podemos esquecer-nos das lutas e reivindicações dos movimentos sociais populares, culturais, das músicas de libertação e reflexão por uma família humana e a conquista através das legislações sociais sendo elas; a Constituição Federal de 1988, Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei Orgânica de Assistência Social, Estatuto do Idoso, Lei Maria da Penha e o mais recente Estatuto da Igualdade Racial, e da participação da sociedade civil e dos movimentos nos conselhos de direitos no qual acompanham, monitoram a organização e gestão das políticas sóciais.
O movimento estudantil sendo ele poli classista sem vínculos a partidos políticos e pautado na Universidade pública e popular de qualidade, bem como a emancipação e organização da classe trabalhadora não deve perder de vista o principio da vida e a ética como norteadora da relação social.
            De acordo com Maria Lucia Barroco:
 “a ética uma dimensão da vida social constituída pela moral e pela capacidade humana de ser livre. Quando os indivíduos sociais organizados coletivamente conseguem superar os entraves a autonomia, a decisão, o respeito às normas, as escolhas, estamos diante de situações históricas nas quais a liberdade deixa de ser um valor e uma possibilidade pra se transformar em realidade concreto. Isso não ocorre somente em momentos revolucionários, trata-se de conquistas relativas a cada momento histórico que vão dando consistência à transformação sociais medidas diversas.
Para superar as condições objetivas da moral individualista, é preciso construir uma nova sociedade... “Isto cabe considerar á ética com um dos espaços de luta realização da liberdade que é composto de categorias fundamentais alteridade, responsabilidade, e não esquecer da democracia e defesa dos direitos humanos” (caderno nº 01- CEFESS- Formação para Agentes Multiplicadores).
E como participantes do movimento que expressa a busca da transformação do modo de produção de capitalista pra socialista até chegarmos ao comunismo, em conjunto com a liberdade para todos os sujeitos, somos responsáveis de combater a exploração, alienação e buscarmos em constância a equidade, igualdade visando o respeito a singularidade e diversidade cultural, de gênero, étnico, social de cada ser humano e devemos nunca perder a utopia da possibilidade de uma família humana composta de seres sociais.

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