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sábado, 9 de novembro de 2013

Posicionamento frente ao SINAES/ ENADE


Histórico do ENADE

O ENADE (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) vem a ser um instrumento que compõe o SINAES (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior) usado pelo ministério da Educação para avaliar a qualidade do ensino superior no Brasil.
Este tipo de prova existe do Brasil há muito tempo. Com a crise do capitalismo adveio o Neoliberalismo que seria sua roupagem contemporânea, que redesenha o capitalismo de forma a garantir uma sobrevida a este modo de produção. Na lógica neoliberal, o Estado deve intervir o mínimo possível na sociedade, delegando especialmente ao mercado esta tarefa. Dentro desta lógica, não há espaço para a garantia de direitos sociais como habitação, transporte e educação. Logicamente estes serviços seriam delegados à iniciativa privada que teria a liberdade para transformá-los em mercadoria. Sendo assim, a educação que deveria ser um direito, passou a ser uma mercadoria.
O Estado, ao invés de provê-la, passou ao papel de “observador-regulador”, apenas aferindo se as instituições de ensino credenciadas tem cumprido seu papel, desresponsabilizando-se por completo neste processo.
No bojo destes acontecimentos, está alocado o sistema de avaliação do ensino superior no Brasil. Através dele, podemos observar que o Estado, ao invés de se responsabilizar pelo provimento de ensino público, gratuito, laico e de qualidade a todos, na verdade, se responsabiliza apenas pelo papel de controlar: dando nota e certificados pra escolas.
O movimento estudantil sempre problematizou o SINAES. Muitos elementos são extremamente vis: a avaliação estar baseada apenas no seu resultado (através da prova) e não do processo de aprendizagem (avaliação da estrutura física, qualificação do corpo docente e projeto pedagógico do curso), o ranquemento das escolas (fomento à competitividade e não elevação da qualidade de todos dos cursos) e o caráter punitivo (ao invés das escolas mal avaliadas receberem maior fomento e auxílio para garantir melhorias, elas são punidas com fechamento de vagas e até do próprio curso).
Dessa forma, por muitos anos o movimento estudantil deliberou boicotar o ENADE que significava comparecer ao local da prova, assiná-la e não preenchê-la. Até 2007 a porcentagem que a nota da prova efetuada pelos alunos representava na composição da nota final era baixo (em torno de 40%). Sendo assim, quando os alunos boicotavam a prova, a nota do curso caía e o MEC era obrigado a fazer a visita in loco, ou seja, avaliar o processo em que o ensino se dava. Neste momento o boicote foi uma estratégia muito interessante pois descobriu-se cursos de educação física que não tinham quadra, faculdade sem biblioteca e afins. Dessa forma, as universidades que não garantiam condições qualificadas para a aprendizagem se viram obrigadas a melhorar tais condições antes da visita do MEC e as universidades qualificadas, apos a visita, tinham sua nota elevada.
Porém, a partir de 2010, a porcentagem que a nota da prova efetuada pelos alunos representava na composição da nota final foi elevada, de forma que seria impossível reverter uma nota baixa. Universidades como a FAPSS e PUC/SP entraram com recursos para que fosse considerado o boicote, mas não obtiveram resposta e foram penalizadas com perda de vagas em seus vestibulares.
Nesta conjuntura, o movimento estudantil de Serviço Social vem despontando dentre as outras executivas de curso pelo vanguardismo na avaliação da estratégia do ENADE. Não há duvidas de que fazermos a critica ao ENADE, mas estamos questionando qual seria a melhor forma de fazer o enfrentamento.

Por que não podemos mais boicotar a prova do ENADE?

  1. Qualquer boicote, para caracterizar-se como tal, tem que ser massificado.
O boicote constitui-se como uma estratégia baseada essencialmente na composição massiva da uma ação e hoje em dia não conseguimos massificar o ENADE nem no Serviço Social (que não representa quase nada frente ao montante total de estudantes de ensino superior no Brasil).
Muitas escolas não podem fazer o boicote porque correm o risco de serem fechadas (ex: PUC e FAPSS), outras porque acabaram de ser credenciadas pelo MEC (ex. UNIFESP), outras porque seus alunos são ameaçados de perder o FIES (Fundo de Financiamento Estudantil) se não obtiverem nota mínima 3 determinada no ato da matrícula (ex. UNIESP). Sendo assim, como decidir por uma estratégia que muitos não podem fazer???!!
Muita atenção: todos esses casos são exemplos graves do porque de nossa critica ao teor punitivo do ENADE, sem duvida, mas se muitas escolas estão impossibilitadas de usar essa ferramenta, precisamos repensar se ela é a melhor estratégia para agora!!!

  1. Porque as escolas mais criticas ao ENADE estão sendo as mais penalizadas, inclusive com fechamento de vagas.
Infelizmente o MEC tem poderes para punir severamente as escolas que aderem ao boicote, podendo reduzir vagas e fechar cursos. Se nós lutamos ao acesso ao ensino de qualidade – crítico por natureza – obviamente nossa estratégia está errada. Nós estamos intensificando os efeitos negativos do neoliberalismo no ensino superior, pois o boicote dá meios para que os cursos combativos sejam penalizados e percam espaço. Os cursos mercadológicos, em contrapartida, tem sido os mais beneficiados com o nosso boicote, pois detém índices “oficiais” de “qualidade” melhor do que das faculdades criticas.

3) Porque colocamos o projeto ético-político hegemônico da profissão em risco.
Através do CERES (Cadastro de Elaboradores e Revisores de Itens da Educação Superior) qualquer professor pode se cadastrar para ser avaliador do MEC e para definir quais serão as questões da prova (e consequentemente seu teor político). O MEC informou que os professores que tem sido recrutados para essa tarefa tem sido aqueles das escolas com as melhores notas, ou seja, as faculdades menos criticas e mais mercadológicas! Isso quer dizer que, muito em breve, podemos ver questões nesta prova de cunho reacionário!! Isso é muito grave, significa que as diretrizes curriculares da ABEPSS – um dos marcos do projeto ético-político da profissão – pode perder seu protagonismo como parâmetro para uma formação profissional de qualidade.
É claro que as outras entidades da categoria – conjunto CFESS-CRESS e ABEPSS – , junto à ENESSO tem se mobilizado para reverter esse fato, mas nós devemos, como estudantes, estar atentos aos reflexos de nossas ações políticas!

4) Porque o boicote ao ENADE hoje tornou-se uma estratégia elitista que só pode ser usado por estudantes de universidades públicas.
Sabemos que as implicações do boicote às universidades públicas e privadas são muito diferentes, em detrimento das últimas.

5) Porque ninguém fica sabendo sobre o boicote alem dos muros das escolas.
A maioria das pessoas, que não estão inseridas em Instituições e Ensino Superior não sabem o que é o ENADE, como ele funciona e buscam em manuais e nestes ranqueamentos os parâmetros para decidir onde estudar.
Precisamos levar estas discussões para fora de nossa escolas, denunciar a cara de pau das universidades privadas que obrigam estudantes a serem “bem comportados e tirarem notas boas” para manterem seus cursos e financiamentos. Precisamos contar que universidades fazem provas no semestre anterior ao ENADE e reprovam os alunos “abaixo do nível ENADE” para que eles não possam estar no semestre selecionado para a avaliação!

Portanto se você acredita que educação deve ser um direito para todos, venha compor com a gente um ato contra o ENADE! Essa é uma causa de todos: dos alunos que estão em ano de ENADE e dos que não estão! Professores, funcionários, vamos lutar pela educação que acreditamos!
No dia 24/11, às 17 horas, junte-se aos alunos que foram obrigados a fazer a prova e venha panfletar, empunhar cartazes, bradar palavras de ordem e demonstrar para todos nossa indignação!
Locais de ato:

  • São Paulo: Avenida Brigadeiro Luis Antonio, 1373.
  • ABC: a confirmar
  • Santos: a confirmar
  • Franca: a confirmar


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