Desafios para o ENADE
Neste ano os estudantes de Serviço Social se preparam para mais uma prova do Exame Nacional de Proficiência que compõe o Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior, portanto se faz necessário um esclarecimento de uma posição firme da ENESSO frente a esta tarefa política.
O acumulo histórico do movimento estudantil bem como uma analise atual e crítica do Serviço Social se faz necessária para compreender quais serão as estratégias utilizadas para uma superação do modelo atual de avaliação.
A implementação do SINAES/ENADE a partir da Lei n° 10.861, de 14 de abril de 2004, no Governo Lula, substituindo, assim, o chamado Provão, praticando na sua superfície uma avaliação diversa, mas, que na sua essência ainda mantinha muitos dos indicadores de análise utilizados pela reforma universitária de Fernando Henrique Cardoso.
Tais indicadores, os quais compõe uma avaliação que responsabiliza somente os estudantes pela avaliação do ensino superior, não afere a pesquisa e a extensão, o que seria de fundamental importância se considerado um tripé da universidade para produção do conhecimento. Além de promover um ranking entre as escolas do mesmo curso impondo uma lógica de disputa pelas verbas, na qual as instituições que tiraram notas baixas recebem menos verbas, ou seja, continuando sem condições de melhorar o ensino.
A contradição explícita do ranking faz parte da política de precarização do ensino superior brasileiro, pois se o apontamento é que a escola tem uma nota baixa numa avaliação sobre seu ensino, a melhora seria propiciando na medida que recebesse mais verbas e não o contrário.
A democracia universitária, os mecanismos de participação dos setores que compõe o corpo da universidade também não são considerados, como a assistência estudantil (política que assegura a manutenção dos estudantes na universidade, bolsa, alojamento, bandejão, transporte...) e que não são contemplados nesse exame.
A lógica, portanto, da mercantilização e competição sacramentada pelos sistemas de comunicação que apresentará, ao final do exame, quais escolas são "as melhores" e quais irão afundar na precarização, deve ser combatida ativamente pelo movimento estudantil.
O movimento estudantil sem ilusões governistas e fantasias do que seria essa e outras etapas da reforma universitária já iniciada em 95 por FHC se posiciona contra essa lógica e apresenta uma política/postura de Boicote ao ENADE.
As estratégias do Boicote devem ser compreendidas em sua totalidade, e se tratando do Serviço Social, a ENESSO entende que é fundamental uma atitude massiva e enérgica dos estudantes, bem como um aprofundamento do debate junto a categoria profissional e suas entidades representativas (CFESS/CRESS e ABEPSS). De fato, precisamos avançar nos estudos e nos apropriarmos dos documentos que a categoria lança, e buscar estratégias unificadas.
É de fundamental importância que a categoria profissional se aproxime do debate e da luta com os estudantes dentro da universidade brasileira, mas a partir de uma orientação advinda, também, das representações da categoria (CFESS/CRESS, ABEPSS e ENESSO) e com isso, avançar numa direção clara de defesa da universidade com o tripé, ensino, pesquisa, extensão, laica, socialmente referenciada e imbuída de um projeto de universidade emancipadora que defendemos.
O chamado que a ENESSO faz é para que todos e todas aqueles/as que entendem que essa avaliação não contempla a compreensão que temos de como ela deve ser feita que nos ajude a mobilizar o boicote/ENADE NOTA 0 em todo o Brasil, com subsídios de debate, mas para que o processo vá mais além uma construção em longo prazo através de GT e estudos que construam uma avaliação do ensino superior que esteja ligada com a defesa da universidade que queremos.
Executiva Nacional de estudantes de Serviço Social - ENESSO
Gestão: 2010/2011 - ENESSO vermelha
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